Compras de Natal ~ Cecília Meireles

A cidade deseja ser diferente, escapar às suas fatalidades. Enche-se de brilhos e cores; sinos que não tocam, balões que não sobem, anjos e santos que não se movem, estrelas que jamais estiveram no céu.

As lojas querem ser diferentes, fugir à realidade do ano inteiro: enfeitam-se com fitas e flores, neve de algodão de vidro, fios de ouro e prata, cetins, luzes, todas as coisas que possam representar beleza e excelência.

Tudo isso para celebrar um Meninozinho envolto em pobres panos, deitado numas palhas, há cerca de dois mil anos, num abrigo de animais, em Belém.

Educação: Reprovada ~ Lya Luft

Há quem diga que sou otimista demais. Há quem diga que sou pessimista. Talvez eu tente apenas ser uma pessoa observadora habitante deste planeta, deste país. Uma colunista com temas repetidos, ah, sim, os que me impactam mais, os que me preocupam mais, às vezes os que me encantam particularmente. Uma das grandes preocupações de qualquer ser pensante por aqui é a educação. Fala-se muito, grita-se muito, escreve-se, haja teorias e reclamações. Ação? Muito pouca, que eu perceba. Os males foram-se acumulando de tal jeito que é difícil reorganizar o caos.

Há coisa de trinta anos, eu ainda professora universitária, recebíamos as primeiras levas de alunos saídos de escolas enfraquecidas pelas providências negativas: tiraram um ano de estudo da meninada, tiraram latim, tiraram francês, foram tirando a seriedade, o trabalho: era a moda do “aprender brincando”. Nada de esforço, punição nem pensar, portanto recompensas perderam o sentido. Contaram-me recentemente que em muitas escolas não se deve mais falar em “reprovação, reprovado”, pois isso pode traumatizar o aluno, marcá-lo desfavoravelmente. Então, por que estudar, por que lutar, por que tentar?

De todos os modos facilitamos a vida dos estudantes, deixando-os cada vez mais despreparados para a vida e o mercado de trabalho. Empresas reclamam da dificuldade de encontrar mão de obra qualificada, médicos e advogados quase não sabem escrever, alunos de universidades têm problemas para articular o pensamento, para argumentar, para escrever o que pensam. São, de certa forma, analfabetos. Aliás, o analfabetismo devasta este país. Não é alfabetizado quem sabe assinar o nome, mas quem o sabe assinar embaixo de um texto que leu e entendeu. Portanto, a porcentagem de alfabetizados é incrivelmente baixa.

A internacionalização do Mundo

Em 2000, Cristovam publicou o artigo A internacionalização do Mundo, em o Globo. O texto ganhou a internet e o mundo, sendo traduzido para vários idiomas. Abaixo, o texto na íntegra.

Fui questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazônia, durante um debate, nos Estados Unidos. O jovem introduziu sua pergunta dizendo que esperava a resposta de um humanista e não de um brasileiro. Foi a primeira vez que um debatedor determinou a ótica humanista como o ponto de partida para uma resposta minha. De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia.

Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso. Respondi que, como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, podia imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a humanidade.

Se a Amazônia, sob uma ótica humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro. O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia é para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço. Os ricos do mundo, no direito de queimar esse imenso patrimônio da humanidade.

Pare de reclamar! - Paulo Lóriga

"Que calor insuportável". "Tudo acaba em pizza". "Sempre tiram as coisas do lugar". "Que vizinho barulhento". "Esse país nunca vai dar certo"... Reclamar se tornou um hábito. É uma atitude que vai se tornando abrangente a ponto de atingir todos os aspectos do dia-a-dia; tornou-se mais contagioso do que pneumonia.

A televisão e a política não ajudam: o debate entre governo e oposição se baseia muito mais em acusações do que em argumentações construtivas e propostas concretas.

O ato de reclamar constitui uma reação episódica, instintiva e defensiva, diante de uma dor imprevista, física ou psíquica, que produz em nós um sofrimento agudo. Dessa forma, as nossas murmurações parecem uma nobre resposta aos limites da condição humana. Mas não é bem assim: em geral, as reclamações se alimentam sobretudo de pequenas contrariedades, de todas as circunstâncias desfavoráveis que não correspondem às expectativas ou aos desejos do momento.

Na família e no trabalho, essa situação é bem mais complexa: as expectativas pessoais, também inconsistentes, são maiores e os inconvenientes habituais se repetem com maior facilidade. Mas, na maioria dos casos, não há motivo para dramatizar as situações.

De que adianta tanta informação se as pessoas não sabem como buscar?


Nunca tivemos tantas informações, tanto conhecimento à disposição. A internet dá voz a todos e armazena estudos, pesquisas, notícias, ideias e criações em abundância, ao alcance de um clique. Todo esse potencial, porém, pode estar sendo desperdiçado ou, no mínimo mal aproveitado porque as pessoas não sabem os atalhos para encontrar o que precisam. De estudantes que não sabem usar o Google ao desconhecimento do milagroso Ctrl+F, aparentemente não sabemos navegar no mar de informações, como informam estudos recentes.

Dan Russell, antropólogo do Google, disse ao The Atlantic que, baseado em pesquisas que faz com usuários comuns, 90% dos americanos não sabe da existência da busca interna em páginas web e documentos, nosso bom e velho amigo Ctrl + F. Em pesquisas de campo, ele comentou ter cansado de ver pessoas lendo vastos documentos em busca de informações específicas e, depois de ensinadas o truque mágico, ficaram boquiabertas com o tempo que desperdiçavam fazendo tudo do jeito “manual”.

Outra pesquisa, essa realizada pelo ERIAL (Ethnographic Research in Illinois Academic Libraries), foi mais fundo na questão. Nela, os pesquisadores, liderados por Steve Kolowich, constataram que o desempenho dos estudantes dos EUA na utilização de mecanismos de pesquisa é ainda pior do que se imaginava.

E os dados são preocupantes mesmo. Apenas 10% dos estudantes se deram ao trabalho de formular consultas com palavras-chave adicionais a fim de afunilar os resultados. Eles se mostraram muito dependentes do Google mesmo quando o assunto a ser pesquisado era de âmbito acadêmico e, ainda assim, a maioria não compreende a lógica do buscador, nem foi apta a realizar pesquisas que gerassem bons resultados. As buscas ou traziam poucas páginas, ou o oposto, muitas para analisar, e, em vez de outras abordagens, os estudantes simplesmente deixavam o assunto em questão de lado e partiam para outro mais fácil.

A pesquisa sugere que o problema é mais amplo, e pode indicar que a geração-Google tem um problema em buscas como um todo. Se é difícil caçar coisas na internet, imagine essa galera sem computador, tendo que ir à biblioteca para pesquisar em livros, enciclopédias, periódicos e outros materiais de papel. Ou buscar em um relatório a informação essencial para o chefe, ou passar o olho em um processo para identificar inconsistências.

Parece loucura hoje, mas o Google não é tão velho assim. Boa parte da minha vida escolar foi sem o auxílio da Internet — e, hey, eu também não sou tão idoso assim!Todo o meu esforço offline em buscas ajuda na hora de formular consultas hoje, a usar abordagens diferentes, parâmetros e todos os recursos que os buscadores oferecem.

No livro Mantenha seu cérebro vivo, Lawrence C. Katz gasta 142 páginas para dizer, em resumo, que nosso cérebro é igual aos músculos do resto do corpo: se não for exercitado, definha. O livro traz diversos exercícios, alguns inusitados, que estimulam a mente a agir de modo diverso ao que estamos acostumados. O mesmo poderia ser aplicado na educação dos jovens para uso do computador, da Internet. É “pensando fora da caixa” que se consegue bons resultados no Google. Na vida, para ser mais exato.

Se você se identificou com a galera sem intimidade com o Google, a gente ajuda. Confira uma listinha de operadores e truques que facilitam a descoberta de resultados relevantes e que funcionam na maioria dos buscadores: 

site:gizmodo.com.br 
Restringe os resultados da busca ao domínio em questão. Os algoritmos dos buscadores mais populares dão uma surra em, basicamente, a maioria dos sistemas internos/próprios, pois eles consideram diversos fatores circunstanciais (no Google, mais de 200) na hora de hierarquizar as páginas.

OR ou AND 
Esses são conectivos lógicos que fazem exatamente o que dizem (em inglês, no caso): OR busca por dois ou mais termos na mesma consulta, e AND restringe os resultados àqueles que apresentam obrigatoriamente ambos os termos relacionados.

* (asterisco) e “” (aspas) 
O asterisco é um “charada”: numa busca, ele significa “qualquer coisa”. Claro que você não irá usá-lo sozinho, mas junto a outros termos tem o poder de trazer à tona resultados bastante refinados. Já as aspas devem ser usadas com duas ou mais palavras e servem para obrigar o buscador a retorná-las na exata ordem em que foram dispostas. Eles, na realidade praticamente todos os operadores, podem ser combinados para buscas ainda mais eficientes. Experimente “quem matou *?” e veja como isso é legal.

filetype:pdf 
O operador filetype é muito poderoso: ele permite filtrar resultados para um formato específico de arquivos. Google, Bing e Yahoo! indexam muito mais do que páginas web; eles têm documentos, imagens e até músicas (!). É muito útil para encontrar manuais de equipamentos, por exemplo; basta fazer uma pesquisa pela marca e modelo e, junto, colocar o operador filetype:pdf.

Os buscadores mais populares ainda funcionam como calculadora, conversor de medidas e moedas, dão previsão do tempo, horários do cinema e possuem uma série de recursos para trabalhar com meta informações dos resutlados — título da página, link, páginas relacionadas etc. E tem mais coisa, acredite.

Tudo isso suscita uma importante questão: o que nossos estudantes estão fazendo nos laboratórios de informática, cada vez mais fáceis de serem encontrados nas escolas brasileiras? Esse tipo de educação não deveria ser incluída na matriz curricular? Existe uma tentativa de vigilância e repressão constante (e totalmente válida, diga-se) ao plágio, à cópia integral na entrega de trabalhos. Mas não seria melhor para todos se, em vez de simplesmente reprimirem esse comportamento, nossos estudantes fossem instruídos sobre a forma certa de fazer? Se o conhecimento é tão abundante e a decoreba cada vez mais irrelevante, não estaria na hora de dar mais ênfase a isso nas escolas?


Acesso em 08-09/2011, às 11h00min GMT -03:00

Felicidade

Não se preocupem: não vou dar, pois não tenho, receita de ser feliz. Não vou querer, pois não consigo, dar lição de coisa alguma. Decido escrever sobre esse tema tão gasto, tão vago, quase sem sentido, porque leio sobre felicidade. Recebo livros sobre felicidade. Vejo que, longe de ser objeto de certa ironia e atribuída somente a livros de autoajuda (hoje em dia o melhor meio de querer insultar um escritor é dizer que ele escreve autoajuda), ela serve para análises filosóficas, psicanalíticas. Parece que existe até um movimento bobo para que a felicidade seja um direito do ser humano, oficializado, como casa, comida, dignidade, educação.
"Se eu quero todas as cores, todas as marcas, todos os carros, todos os homens ricos ou mulheres gostosas, preparo a minha frustração. Está decretada a dificuldade de ser feliz"

Mas ela é um estado de espírito. Não depende de atributos físicos. Nem de inteligência: acho até que, quanto mais inteligente se é, mais possibilidade de ser infeliz, porque se analisa o mundo, a vida, tudo, e o resultado tende a não ser cor-de-rosa. Posso estar saudabilíssimo, e infeliz. Posso ter montanhas de dinheiro, mas viver ansioso, solitário. Talvez felicidade seja uma harmonia com nós mesmos, com os outros, com o mundo. Alguma inserção consciente na natureza, da qual as muralhas de concreto nos isolam, ajuda. Mas dormimos de cortinas cerradas para não ver a claridade do dia, ou para escutar menos o rumor do mundo (trem passando embaixo da janela não dá). Tenho um amigo que detesta o canto dos pássaros, se pudesse mataria a tiro de chumbinho os sabiás que alegram minhas manhãs. Um parente meu não suportava praia, porque o barulho do mar lhe dava insônia.

Portanto, cada um é infeliz à sua maneira. Acho que felicidade também é uma predisposição genética: vemos bebês e criancinhas mal-humorados ou luminosos. Parte dela se constrói com projetos e afetos. O que se precisa para ser feliz?, me perguntam os jornalistas. Melhor seria: O que é preciso para não ser infeliz? Pois a infelicidade é mais fácil de avaliar, ela dói. Concordo que felicidade é uma construção laboriosa quando se racionaliza: melhor deixar de lado, ela vai se construir apesar dos nossos desastres. Difícil ser feliz assistindo ao noticioso, refletindo um pouco, e vendo, por exemplo, que as bolsas despencam no mundo todo, os dinheiros derretem, muitas vidas se consumiram por nada, muita gente boa empobrece dramaticamente, muita gente boa enriquece (não direi que os maus enriquecem com a desgraça dos bons porque isso é preconceito burro). Enquanto a histeria coletiva solapa grandes fortunas ou devora pequenas economias juntadas com sacrifício, Obama, de quem ainda sou fã, aparece elegante e pronuncia algumas de suas frases elegantes, mas aparentemente não diz grande coisa porque na legenda móvel embaixo de sua bela figura as bolsas continuam a despencar. Vamos consumir, vamos poupar, vamos desviar os olhos, vamos fazer o quê? Talvez em conjunto gastar menos, pensar menos em aproveitar a vida, e trabalhar mais — mas aí a gente reclama, queremos é trabalhar menos e gastar mais.

Aqui entre nós, vejo uma reportagem sobre a gastança de nossas crianças e jovens. Gostei do tênis azul, do amarelo e do rosa, diz uma menininha encantadora. Ah, e do lilás também. Qual a senhora vai comprar?, pergunta a repórter. A mãe, também encantadora, ri: Acho que todos. Está decretada a dificuldade de ser feliz, pois se eu quero todas as cores, todas as marcas, todos os carros, todos os homens ricos ou mulheres gostosas, preparo a minha frustração, portanto a infelicidade. Na ex-fleumática Inglaterra, bandos de jovens desocupados destroem bairros de Londres e cidades vizinhas. Seu terror são pobreza, desemprego, falta de assistência para os velhos e de futuro para os moços. Não há como, nessa condição, pensar em ser feliz, a gente quer mesmo é punir, destruir, talvez matar. Complicado.

Uma boa rima para felicidade pode ser simplicidade. Ainda tenho projetos, sempre tive bons afetos. O que mais devo querer? A pele imaculada, o corpo perfeito, a bolsa cheia, a bolsa ou a vida? Acho que, pensando bem, com altos e baixos, dores e amores, e cores e sombras, eu ainda prefiro a vida.

Lya Luft, escritora


Texto publicado na Revista Veja, edição 2230, ano 44, nº 33, de 17 de agosto de 2011.

O poder que uma informação errada tem sobre a sua mente

Duas pessoas conversam no trabalho:

- Você já conheceu o Artur, aquele cara novo que está trabalhando aqui? Ele parece legal, né?
- Ih, tome cuidado porque ouvi dizer que ele puxou o tapete dos colegas na outra empresa em que trabalhava. Dizem que esse cara é tão manipulador e egoísta que acho até que deve ser um daqueles psicopatas corporativos.

Não era verdade: Artur é gente boa e o segundo interlocutor o havia confundido com outra pessoa. Descoberto o engano, tudo foi esclarecido para não deixar o colega com uma impressão ruim a respeito do novato. Mas o estrago já havia sido feito. Um novo estudo descobriu que, mesmo que você peça para as pessoas ignorarem uma informação errada, isso não apaga a ideia inicial que ela causou.

Na pesquisa, feita pela Universidade da Austrália Ocidental, os psicólogos pediram que estudantes universitários lessem o relato de um acidente envolvendo um ônibus cheio de passageiros idosos. Os alunos foram então informados de que, na verdade, os passageiros não eram idosos. Para alguns alunos, a história acabou ali. Para outros, foi dito que o ônibus estava levando o time de hóquei da faculdade.

Depois, cada um teve que responder algumas perguntas sobre esse fato e o resultado mostrou o poder da desinformação: quem havia sido advertido sobre o engano e ouviu a história até o fim estava menos propenso a errar do que os outros, mas ainda assim acabou concordando com afirmações como “os passageiros tiveram dificuldade para sair do ônibus porque eles eram idosos e frágeis”.

Isso indica que, mesmo que você compreenda, lembre e acredite na correção posterior, a informação que você recebeu inicialmente ainda vai afetar o seu raciocínio e suas conclusões. Para o psicólogo Ullrich Ecker, um dos autores do estudo, tal fato revela um pouco sobre como funciona a nossa memória.
“Apesar de as pessoas terem alguma capacidade de evitar a confiança indevida em informações de má qualidade, isso ainda continua a afetar o seu raciocínio”, explica ele. “Nossa memória está constantemente conectando fatos novos e antigos e amarrando os diferentes aspectos de uma situação em conjunto, de modo que nós aproveitamos, ainda que inconscientemente, fatos que sabemos ser errado para tomar decisões mais tarde”.

Os pesquisadores descobriram que uma advertência específica – dando informações detalhadas sobre o efeito influência da desinformação – conseguiu reduzir a influência das informações iniciais, mas não eliminá-la. E não adianta avisar as pessoas de que as informações nem sempre são checadas antes de serem espalhadas – Ecker disse que isso é ainda menos eficaz.

O lance é sempre checar bem as informações antes de espalhá-las por aí porque, mesmo que você corrija algum eventual erro depois, elas podem ter efeitos duradouros sobre a imagem de algo ou alguém.

Bruno Xavier
6 de agosto de 2011 

Acesso em: 09/08/2011, às 21h30min GMT -03:00
Imagem retirada do próprio site

Sem corante? Ficamos brancos

WASHINGTON - Sem o corante artificial Amarelo Nº 6 da FD&C, os Salgadinhos Cheetos Sabor Queijo pareceriam as larvas murchas de um grande inseto. Não é de surpreender que, em testes de paladar, as pessoas não mostraram muita vontade para comê-los.

Seus dedos não ficaram laranja. E seus cérebros não registraram muito sabor de queijo, mesmo que o Cheetos tivesse o mesmo gosto de quando havia corante.

“As pessoas disseram que o gosto era suave, e que não era muito legal de se comer”, segundo Brian Wansink, professor da Universidade de Cornell e diretor do Laboratório de Alimentos e Marcas da universidade.

O Cheetos puro não teria muito futuro comercial. Nem algumas marcas de picles. O processo de fabricação destes transforma-os em massas acinzentadas nada apetitosas. O corante é o responsável pelo seu verde robusto. As minhocas de goma sem a coloração artificial, bem, pareceriam mais minhocas pegajosas translúcidas. A gelatina sairia da geladeira com a mesma cor da água.

Sem dúvida, o mundo seria muito mais chato sem os corantes artificiais alimentícios. Seria também um lugar mais seguro? O Centro Para a Ciência do Interesse Público, um grupo de advocacia, pediu ao governo para banir os corantes artificiais porque os tipos usados em alguns alimentos poderiam piorar a hiperatividade de algumas crianças.

“Esses corantes não têm nenhuma finalidade, a não ser vender porcarias”, segundo Marion Nestle, professor de nutrição, estudos alimentícios e saúde pública da Universidade de Nova Iorque.

Um grupo de especialistas do governo concluiu que não há provas de que corantes possam causar problemas na maioria das crianças, e que quaisquer que sejam os problemas que eles possam causar em algumas delas, não é garantido um banimento ou uma etiqueta de aviso além do que já é necessário - uma nota que informa a coloração artificial.

“A cor é uma parte tão crucial da experiência alimentar que banir os corantes tiraria uma boa parte do prazer da vida”, afirma Kantha Shelke, uma química alimentícia e porta-voz do Instituto de Tecnólogos Alimentícios. “Vamos realmente banir tudo quando apenas uma pequena parte de nós é sensível?” Além disso, a cor define também o gosto em testes de paladar. Quando a coloração sem gosto amarela é adicionada ao pudim de baunilha, os consumidores dizem que ele tem gosto de pudim de banana ou limão. E quando os sabores de manga ou limão são adicionados ao pudim branco, a maioria dos consumidores dizem que ele tem gosto de baunilha. A cor cria uma expectativa psicológica para um certo sabor que é praticamente impossível de se desfazer, afirma a Dra. Shelke.

“A cor pode realmente substituir as outras partes da experiência de comer”, disse ela em uma entrevista.

Mesmo assim, algumas companhias alimentícias têm expandido sua oferta de produtos industrializados para incluir alimentos sem coloração artificial. Refrescos da Kool-Aid e alimentos orgânicos da Kraft Foods são exemplos disso. Algumas redes de docerias americanas inclusive se recusam a vender alimentos com coloração artificial.

Até agora, os corantes naturais não provaram ser uma boa alternativa. Geralmente eles não são tão claros, baratos ou estáveis quanto os artificiais, que podem manter a cor original por anos. Os corantes naturais geralmente perdem a cor em poucos dias.

Todd Miller, o chef executivo de massas da Hello Cupcake, em Washington, disse ser voltado aos ingredientes naturais e simples. Seus bolos são feitos com farinha e manteiga, e a cor vermelha da sua cobertura vem do purê de morango.

Mas o chocolate granulado que decoram a maioria de suas criações têm sua coloração derivada do bom e velho petróleo, a fonte dos corantes artificiais. E ele não pretende mudar isso porque os naturais não são tão coloridos.

“Eu poderia viver sem o chocolate granulado, mas por que eu o faria?” pergunta ele. “São bolinhos. É para serem engraçados.”

Gardiner Harris, do New York Times

Tradução: Gabriel Gutierrez P. Soares (Gutierrez PS)
Revisão: Carol-chan Dias

Retirado de: http://www.nytimes.com/2011/04/03/weekinreview/03harris.html
Acesso em: 10/07/2011, às 14h36min GMT -03:00
Publicado em: 22 de abril de 2011

Se Escola fosse Estádio e Educação fosse Copa…

Passeio, nesses últimos dias, meu olhar pelo noticiário nacional e não dá outra: copa do mundo, construção de estádios, ampliação de aeroportos, modernização dos meios de transportes, um frenesi em torno do tema que domina mentes e corações de dez entre dez brasileiros.

Há semanas, o todo-poderoso do futebol mundial ousou desconfiar de nossa capacidade de entregar o “circo da copa” em tempo hábil para a realização do evento, e deve ter recebido pancada de todos os lados pois, imediatamente, retratou-se e até elogiou publicamente o ritmo das obras.

Fiquei pensando: já imaginaram se um terço desse vigor cívico-esportivo fosse canalizado para melhorar nosso ensino público? É… pois se todo mundo acha que reside aí nossa falha fundamental, nosso pecado social de fundo, que compromete todo o futuro e a própria sustentabilidade de nossa condição de BRIC, por que não um esforço nacional pela educação pública de qualidade igual ao que despendemos para preparar a Copa do Mundo?

E olhe que nem precisaria ser tanto! Lembrei-me, incontinenti, que o educador Cristóvam Buarque, ex-ministro da Educação e hoje senador da República, encaminhou ao senado dois projetos com o condão de fazer as coisas nessa área ganharem velocidade de lebre: um deles prevê simplesmente a federalização do ensino público, ou seja, nosso ensino básico passaria a ser responsabilidade da União, com professores, coordenadores e corpo administrativo tendo seus planos de carreira e recebendo salários compatíveis com os de funcionários do Banco do Brasil ou da Caixa Econômica Federal.Que tal? Não é valorizar essa classe estratégica ao nosso crescimento o desejo de todos que amamos o Brasil? O projeto está lá… parado, quieto, na gaveta de algum relator.

O outro projeto, do mesmo Cristóvam, é uma verdadeira “bomba do bem”. Leiam com atenção: ele, o projeto, prevê que “daqui a sete anos, todos os detentores de cargo público, do vereador ao presidente da república serão obrigados a matricular seus filhos na rede pública de ensino”. E então? Já imaginaram o esforço que deputados (estaduais e federais), senadores e governadores não fariam para melhorar nossas escolas sabendo que seus filhos, netos, iriam estudar nelas daqui a sete anos? Pois bem, esse projeto está adormecido na gaveta do senador Antônio Carlos Valladares, de Sergipe, seu relator. E não anda. E ninguém sabe dele.

Desafio ao leitor: você é capaz de, daí do seu conforto, concordando com os projetos, pegar o seu computador e passar um e-mail para o senador Valadares (antoniocarlosvaladares@senador.gov.br) pedindo que ele desengavete essa “bomba do bem”? É um ato cívico simples. Pela educação. Porque pela Copa já estamos fazendo muito mais.

Jorge Portugal, educador e apresentador de TV

Retirado de: http://www.jorgeportugal.com.br/blog/2011/04/se-escola-fosse-estadio-e-educacao-fosse-copa/
Acesso em: 07/07/2011, às 22h00min GMT -3
Ilustração: Castro Mello Arquitetos

Os meninos-lobo - Cláudio de Moura Castro

Nossa juventude estará mal preparada para a sociedade civilizada se insistirmos em uma educação que produz uma competência linguística pouco melhor do que a de meninos-lobo

No velho conto de Rudyard Kipling Mogli, o Menino-Lobo, o autor descreve uma criança que, adotada por uma loba, cresce sem jamais haver usado uma só palavra humana, até ser encontrada e se integrar à sociedade. O conto é atraente, mas cientificamente absurdo. Porém, houve outros casos, supostamente reais, de crianças criadas por animais. E também casos reais (até recentes) de crianças que cresceram isoladas e sem oportunidades de aprender a falar.

Faz tempo, meninos-lobo e outros jovens criados sem interação humana despertaram o interesse da psicologia cognitiva e da linguística. A razão é que seriam um experimento natural que permitiria responder a uma pergunta crucial: esses jovens, sem conhecer palavras, poderiam pensar como os demais humanos?

A questão em pauta era decidir se pensamos porque temos palavras ou se seria possível pensar sem elas. Como os meninos-lobo não conheciam palavras, se podiam pensar, teria de ser sem elas. Nos diferentes casos de crianças criadas em isolamento, ficou clara a enorme dificuldade de ajustamento que elas encontraram ao ser reabsorvidas pela sociedade. Muitas jamais se ajustaram, fosse pelo trauma do isolamento, fosse pela impossibilidade de pensar humanamente sem palavras. Mas o fato é que não desenvolveram um raciocínio (abstrato) classicamente humano.

O interesse pelos meninos-lobo feneceu. Mas se aprendeu muito desde então, e hoje não se acredita que o pensamento sem palavras seja possível – pelo menos, o pensamento simbólico que é a marca dos seres humanos. Ou seja, Mogli não seria capaz de pensar.

"Vivemos em um mundo de palavras", diz o celebrado antropólogo Richard Leakey. "Nossos pensamentos, o mundo de nossa imaginação, nossas comunicações e nossa rica cultura são tecidos nos teares da linguagem... A linguagem é o nosso meio... É a linguagem que separa os humanos do resto da natureza." Para o neuropaleontólogo Harry Jerison, precisamos de um cérebro grande (três vezes maior do que o de outros primatas) para lidar com as exigências da linguagem.

Portanto, se pensamos com palavras e com as conexões entre elas, a nossa capacidade de usar palavras tem muito a ver com a nossa capacidade de pensar. Dito de outra forma, pensar bem é o resultado de saber lidar com palavras e com a sintaxe que conecta uma com a outra. O psicólogo Howard Gardner, com sua tese sobre as múltiplas inteligências, talvez diga que Garrincha tinha uma "inteligência futebolística" que não transitava por palavras. Mas grande parte do nosso mundo moderno requer a inteligência que se estrutura por intermédio das palavras. Quem não aprendeu bem a usar palavras não sabe pensar. No limite, quem sabe poucas palavras ou as usa mal tem um pensamento encolhido.

Talvez veredicto mais brutal sobre o assunto tenha sido oferecido pelo filósofo Ludwig Wittgenstein: "Os limites da minha linguagem são também os limites do meu pensamento". Simplificando um pouco, o bem pensar quase que se confunde com a competência de bem usar as palavras. Nesse particular não temos dúvidas: a educação tem muitíssimo a ver com o desenvolvimento da nossa capacidade de usar a linguagem. Portanto, o bom ensino tem como alvo número 1 a competência linguística.

Pelos testes do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb), na 4ª série 50% dos brasileiros são funcionalmente analfabetos. Segundo o Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), a capacidade linguística do aluno brasileiro corresponde à de um europeu com quatro anos a menos de escolaridade. Sendo assim, o nosso processo educativo deve se preocupar centralmente com as falhas na capacidade de compreensão e expressão verbal dos alunos.

Ao estudar a Inconfidência Mineira, a teoria da evolução das espécies ou os afluentes do Amazonas, o aprendizado mais importante se dá no manejo da língua. É ler com fluência e entender o que está escrito. É expressar-se por escrito com precisão e elegância. É transitar na relação rigorosa entre palavras e significados.

No conto, Mogli se ajustou à vida civilizada. Infelizmente para nós, Kipling estava cientificamente errado. Nossa juventude estará mal preparada para a sociedade civilizada se insistirmos em uma educação que produz uma competência linguística pouco melhor do que a de meninos-lobo.

Cláudio de Moura Castro, economista


Retirado de: http://veja.abril.com.br/080709/meninos-lobo-p-024.shtml 
Acesso em: 07/07/2011, às 15h19min GMT -3
Iustração: Atômica Studio

Mito: O Inglês Britânico é Mais Fácil de Entender

Confesso que já ouvi muitas pessoas dizendo isso por aí. Quando comecei a estudar inglês, eu também pensava assim. Mas, com o tempo, percebi que esse é o mito mais absurdo que existe dentro do ensino e aprendizado da língua inglesa. Ou seja, o inglês britânico pode não ser tão fácil assim de entender. Saiba mais lendo o restante desse post.

Antes de qualquer coisa é preciso entender o que é o inglês britânico. Para ser sincero eu não faço a menor ideia do que realmente seja esse inglês. Por quê? Bom, tenha em mente que a Inglaterra é apenas um dos países que compõe o Reino Unido. Dentro da própria Inglaterra há diferentes sotaques e variantes da língua inglesa. Essas diferenças são divididas em dois grandes grupos: Northern England (norte) e Southern England (sul). Mas, dentro desses dois grandes grupos há ainda subgrupos e cada um com características próprias. Ou seja, o que é mesmo o inglês britânico se dentro da Inglaterra encontramos diferenças!?

Um pouco mais para cima temos a Escócia que também possui um inglês próprio (sotaque, vocabulário, usos gramaticais, etc.). Não podemos esquecer a Irlanda do Norte e o País de Galês que também possuem uma língua inglesa própria deles. Todos esses países – Inglaterra, Escócia, Irlanda do Norte e País de Galês – formam o que chamamos de Reino Unido. Embora politicamente unidos, cada país tem cultura própria e quando falamos de cultura temos de entender que a língua se inclui no conjunto; ou seja, cada país terá um inglês com características regionais próprias.

Isso significa que a coisa é tão complexa que não sabemos exatamente o que é o tal inglês britânico. O que realmente sabemos é que as pessoas chamam de inglês britânico, o que os especialistas chamam de Received Pronunciation (abreviado para RP). E o que é essa tal de Received Pronunciation?

RP é uma das variantes da língua inglesa, comum dentro do Reino Unido, e tido como a variante de prestígio social e educacional. Ou seja, é a variante usada por pessoas das altas classes sociais e/ou com bom nível de educação escolar. É a variante usada pela rainha em seus discursos. É também a variante usada pela BBC (British Broadcasting Corporation). É a forma usada nas escolas (Eton e Harrow, por exemplo) e faculdades (Oxford e Cambridge, por exemplo). O serviço militar também o adota em suas incursões pelo mundo. Enfim, é um modo padrão da língua inglesa.

Uma das características marcantes da RP é que ela é “pura”. Isto é, quem a usa procura pronunciar as palavras de modo claro e utilizar um vocabulário que seja reconhecido por todos. As estruturas gramaticais são organizadas de acordo com o “padrão”. Trata-se, portanto, de um inglês mais “limpo (pronunciado com calma e de modo padrão), menos complicado (o falante fala mais devagar), sem interferências regionais (gírias, expressões, pronúncia, etc.). É por conta dessas características que a RP é, sem dúvidas, mais fácil de entender do que qualquer outra forma. No entanto, ela é apenas uma forma da língua inglesa!

Para ficar mais claro esse assunto, vamos fazer um paralelo com a língua portuguesa. O menino da favela e o filho do camponês do interior do estado falam uma língua portuguesa própria deles (vocabulário, pronúncia, gramática, etc.). Essa é a língua portuguesa que eles usam com os amigos e familiares nas relações cotidianas. Ao entrarem na escola, eles passam a ter contato com a normal culta da língua portuguesa. Nesse momento, o professor de português deve mostrar a esses alunos que o português deles não é “errado” ou “feio”; mas, o fato é que nas relações sociais neutras e formais do dia a dia (trabalho, faculdade, reuniões de negócios, etc.) eles devem usar a norma culta da língua. Ou seja, eles então aprendem outra forma da língua sem que a deles seja menosprezada ou ridicularizada.

O que acontece no dito “inglês britânico(leia-se RP) é justamente isso: cada pessoa pode falar o seu inglês regional; mas nas relações sociais neutras ou formais utilizam a Received Pronunciation. Isso demonstra mais educação, mais respeito com o interlocutor e evita ruídos na comunicação (más interpretações no que é dito).

Durante anos, a maioria dos materiais didáticos voltado para o inglês britânico tem utilizado o RP nas suas atividades de compreensão auditiva, leitura, escrita, pronúncia, etc. Trata-se do inglês considerado padrão entre os países que formam o Reino Unido e também os países por eles colonizados (Canadá, Austrália, Índia, etc.).

Como o RP é mais “limpo”, falado com calma, etc., as pessoas tem a sensação de que o inglês britânico é mais fácil de aprender e entender. Na verdade, é apenas essa variante que aparenta ser fácil. Mas, garanto a você que se você for para uma região da Inglaterra e começar a conviver com as pessoas, você terá a sensação de que inglês britânico não é tão fácil assim. Somente com o tempo você se acostumará com o modo como eles falam inglês. Enquanto isso o RP será a sua salvação e torça para que alguém o use ao falar com você; caso contrário, você terá de se virar nos trinta (ou muito mais tempo) para entender o que eles dizem.


Por: Denilso de Lima
Retirado de: Inglês na Ponta da Língua - Dicas de Inglês com Denilso de Lima

Marx - Alienação

Do Espírito Absoluto de Hegel à realidade concreta

"Esses jovens de hoje, tão alienados...". Esta expressão, que a maioria de nós já ouviu alguma vez na vida, provavelmente foi entendida como se referindo ao fato de que, na juventude, não temos muita responsabilidade, queremos mais é curtir a vida. Mas, afinal de contas, será que somos alienados? O que é, então, alienação?

O termo entrou no vocabulário contemporâneo graças a Karl Marx, que, assim como no caso do conceito de dialética, retirou a idéia de alienação de suas leituras de Hegel, mas o revestiu de um caráter inovador e, como em tudo em Marx, muito crítico.

Tanto em Marx quanto em Hegel, alienação está ligada ao trabalho. Para Hegel, o trabalho é a essência do homem, quer dizer, é somente por meio de seu trabalho que o homem pode realizar plenamente suas habilidades em produções materiais.

Mas quando o pensamento puro se torna pensamento sensível, visando uma realização material na forma de trabalho, nos alienamos, isto é, nos separamos da essência pura e abrimos caminho para uma separação entre ideal e real, que de novo irão se unir ao que Hegel chama de Espírito Absoluto.

Muito abstrato? Marx também achou, mas viu nestas idéias algo interessante, que poderia explicar as relações sociais no capitalismo e, mais do que isso, desvendar um dispositivo fundamental da máquina capitalista.

Para isso, voltou-se para a realidade concreta, em que os trabalhadores eram explorados em fábricas e deixavam seus patrões cada vez mais ricos, enquanto eles e suas famílias ficavam cada vez mais pobres. Como poderiam aceitar tal coisa?

Trabalho alienado
Alienação, para Marx, tem um sentido negativo (em Hegel, é algo positivo) em que o trabalho, ao invés de realizar o homem, o escraviza; ao invés de humanizá-lo, o desumaniza. O homem troca o verbo SER pelo TER: sua vida passa a medir-se pelo que ele possui, não pelo que ele é. Isso parece familiar? Pois é, vamos ver os detalhes.

O filósofo alemão concebeu diferentes formas de alienação, como a religião ou o Estado, em que o homem, longe de tornar-se livre, cada vez mais se aprisionaria. Mas uma alienação é básica, segundo Marx: a alienação econômica.

A alienação econômica pode ser descrita de duas formas: o trabalho como (a) atividade fragmentada e como (b) produto apropriado por outros.

Tempos modernos
No primeiro caso, a separação do trabalho, em todas as suas instâncias, aliena o trabalhador, que não se reconhece mais em uma atividade - porque ele faz apenas uma peça de um carro em uma escala produtiva e não tem a visão do conjunto, por exemplo - e porque acaba desenvolvendo apenas uma de suas habilidades, seja braçal ou intelectual, provocando, com isso também, uma divisão social.

Essa divisão do trabalho foi fundamental para a organização da sociedade capitalista. Não seria possível sequer vestirmos tênis se não existissem trabalhadores que os produzissem em larga escala em fábricas, onde cada um é responsável por uma etapa na produção.

O melhor exemplo de como funciona este processo e suas conseqüências sociais pode ser visto no filme "Tempos Modernos" (1936), dirigido e estrelado por Charles Chaplin, que mostra, de forma bem humorada, a vida de um operário sendo controlada pela máquina na linha de montagem de uma fábrica.

Exploração
No segundo caso, o trabalhador tem a riqueza gerada pelo seu trabalho tomada pelos proprietários dos meios de produção. Ele é levado a gerar acumulação de capital e lucro para uma minoria, enquanto vive na pobreza.

Um empregado de uma fábrica de TV de LCD, por exemplo, em oito horas diárias de trabalho produz, ao final do mês, um número considerável de aparelhos, mas recebe apenas uma pequena parcela disso em forma de salário. O que recebe não permite sequer adquirir aquilo que ele produz - uma TV de R$ 5 mil - e o modo de vida de sua família é muito diferente daqueles que consomem seu produto.

O trabalhador não reconhece mais o produto de seu trabalho e não se dá conta da exploração a que é submetido. O que se exterioriza não é sua essência, mas algo estranho a ele.

Diz Marx: "A alienação aparece tanto no fato de que meu meio de vida é de outro, que meu desejo é a posse inacessível de outro, como no caso de que cada coisa é outra que ela mesma, que minha atividade é outra coisa e que, finalmente (e isto é válido também para o capitalista), domina em geral o poder desumano".

Divisão do trabalho e acumulação de capital, que, juntos, formam a base de uma sociedade capitalista, são também as fontes de alienação moderna, segundo Marx, por meio das quais se constitui um sistema de dominação.

Comunismo
Qual a solução? Se o trabalho, no sistema capitalista, é fonte de alienação, e se o capital é, basicamente, propriedade privada, isto é, a posse e o acúmulo de objetos, a superação do homem alienado só virá, para Marx, com a sociedade comunista.

Segundo Marx, somente com o comunismo as pessoas deixariam de ser alienadas, pois tudo seria de todos e não haveria necessidade de divisão ou expropriação do trabalho alheio. "A superação da propriedade privada é, por isso, a emancipação total de todos os sentidos e qualidades humanas", diz Marx.

Marx, provavelmente, ficaria muito aborrecido em ver que, na prática, os ideais do comunismo, na forma de dogmas, somente trouxeram mais alienação. Sua crítica, no entanto, parece atual diante de uma juventude destituída de ideais políticos que se contenta com prazeres imediatos proporcionados pelo consumo. É o celular da moda, o tênis de marca e o carro de luxo que definem sua essência?


[...]

Acessado em: 28/05/2011 ~ 20:50
Autor: José Renato Salatiel,
jornalista e professor universitário

Você sabe com quem está falando?

Ótimo vídeo sobre a arrogância das pessoas, por Mario Sérgio Cortella.


Dez coisas a serem aprendidas com o Japão

– 01 –
A CALMA
Nenhuma imagem de gente se lamentando,
gritando e reclamando que
“havia perdido tudo”.
A tristeza por si só já bastava.

– 02 –
A DIGNIDADE
Filas disciplinadas para água e comida.
Nenhuma palavra dura e nenhum gesto de desagravo.

– 03 –
A HABILIDADE
Arquitetos fantásticos, por exemplo.
Os prédios balançaram, mas não caíram.

– 04 –
A SOLIDARIEDADE
As pessoas compravam somente o que realmente
necessitavam no momento.
Assim todos poderiam comprar alguma coisa.

– 05 –
A ORDEM
Nenhum saque a lojas.
Sem buzinaço e tráfego pesado nas estradas.
Apenas compreensão.

– 06 –
O SACRIFÍCIO
Cinquenta trabalhadores ficaram para bombear água do mar
para os reatores da usina de Fukushima.
Como poderão ser recompensados?

– 07 –
A TERNURA
Os restaurantes cortaram pela metade seus preços.
Caixas eletrônicos deixados sem qualquer tipo de vigilância.
Os fortes cuidavam dos fracos.

– 08 –
O TREINAMENTO
Velhos e jovens,
todos sabiam o que fazer e fizeram exatamente
o que lhes foi ensinado.

– 09 –
A IMPRENSA
Mostraram enorme discrição nos boletins de notícias.
Nada de reportagens sensacionalistas com repórteres imbecis.
Apenas calmas reportagens dos fatos.

– 10 –
A CONSCIÊNCIA
Quando a energia acabava em uma loja,
as pessoas recolocavam as mercadorias nas prateleiras
e saiam calmamente.


Autor Desconhecido
Via corrente de e-mail

Chacina do Realengo, por Rosa Godoy

Encaminhando...
Às Autoridades deste país,

Li tudo que pude, publicado até o presente momento, a respeito da tragédia acontecida na escola do Realengo, no Rio de Janeiro.

E meditei muito antes de tomar a decisão de escrever este pequeno texto.

Não gostei, de forma alguma, de nenhuma das declarações: da Exma. Sra. Presidente da República, do Exmo. Sr. Ministro da Educação e do Exmo. Sr. Governador do Rio de Janeiro.

Da Presidente Dilma, em quem votei, discordo da afirmação de que o acontecimento não faz parte da cultura brasileira.

Do Ministro da Educação, discordo de sua declaração, agora, após este acontecimento, de que a Educação brasileira está de luto.

Do Governador do Rio de Janeiro, discordo de sua qualificação sobre o assassino dos estudantes como um animal.

Minhas refutações:

Ø a Presidente só tem razão quanto à forma e não quanto ao conteúdo: a forma do assassinato coletivo em escolas, à moda norte-americana, de fato, não era usual em nossas práticas sociais, até agora. Mas quanto ao conteúdo, Sra. Presidente, ignorar que a violência está presente no cotidiano de nossas escolas, é tapar o sol com a peneira. É retórica. A violência está presente, há muito tempo, nas escolas, sob as mais diversas formas: agressões entre alunos, de alunos contra professores, e, mesmo em escala menor, de professores contra alunos.

Ø Em decorrência, acho que está refutada a fala do Ministro. Por que só agora, quando a tragédia é coletiva, o Sr. Ministro vem a público para dizer que a Educação está de luto? Faz muito tempo, décadas, que a Educação brasileira está de luto, não apenas pela violência que grassa no meio escolar, mas também pela omissão dos nossos governantes ante a própria educação.

Ø Sobre a fala do Sr. Governador do Rio de Janeiro: é muito fácil achar um bode expiatório e – desculpem a expressão – “tirar da seringa”. Neste discurso, a fala oficial quer atribuir a um indivíduo – autor material do crime - toda a culpabilidade. Assim fazendo, escamoteia-se a responsabilidade dos governantes.

A Escola vem sendo um dos mais expressivos espaços de violência de nossa sociedade. Tanto a pública quanto a privada. Basta ler os noticiários.

A Educação, notadamente a pública, aquela apenas à qual pode aceder a grande parte da população brasileira, está no abandono. Reconheço que não faltam políticas públicas para uma série de aspectos a ela referentes, como cursos para qualificação de professores, cursos direcionados para o respeito às diversidades, cursos direcionados para os Direitos Humanos, etc etc etc, mas faltam medidas efetivas para garantir a segurança nas Escolas, de alunos e professores; faltam políticas fortes e concretas de combate às drogas (um dos maiores, senão o maior, fatores da violência escolar).

Faltam políticas fortes para criar valores moralmente sadios na infância e na juventude. Por que? Porque a sociedade contemporânea, nutrida diariamente por anti-valores humanos, como o consumismo desenfreado, a competitividade destrutiva, o individualismo exacerbado, vem sistematicamente implodindo valores necessários à produção/reprodução de uma sociedade: um mínimo de direcionamento para a existência humana como referência fundamental e magnífica – a vida como valor; de cooperação societária, de perspectiva e engajamento coletivos.

O magistério, essa outrora profissão respeitada - e essencial a qualquer sociedade para que se concretize a transmissão do patrimônio cultural de uma geração a outra, para que a geração mais nova possa elaborar, no seu tempo histórico, o seu patrimônio cultural – vem sendo desqualificado, conspurcado, aviltado, desrespeitado pelos vários segmentos sociais, a começar de nossos governantes. Não precisamos ir longe: vários estados brasileiros (leia-se: seus governantes), estavam se recusando a pagar um piso salarial para os professores da Educação Básica, sob a alegação de que as contas dos estados e municípios não suportariam os custos e de que o piso salarial seria inconstitucional. . Mas ... a União, os estados e municípios suportam (!!!) os custos de empreguismo sem concurso de parentes e aderentes, de falcatruas com o dinheiro público, de licitações direcionadas e tortuosas, de não obediência dos dispositivos legais sobre gastos públicos, .... contra isto, os governantes não se indignam. Ao contrário: posam de virgens imaculadas.

Quando uma professora do Rio Grande do Sul foi agredida, recentemente, fato amplamente divulgado pela mídia, por um aluno com uma cadeira, o Ministro da Educação não se pronunciou. Tantos episódios de agressão nas Escolas! E o Sr. Ministro da Educação não se pronunciou. Por que o fez agora? Por que o assassinato da Escola do Rio de Janeiro não só foi coletivo como, principalmente, reverberou na mídia fortemente ... e na mídia internacional. E aí, a preocupação parece ter sido muito mais o arranhamento que isto possa produzir na imagem do Rio de Janeiro com vistas à Copa do Mundo e às Olimpíadas. Do que o fato em si. Porque as imagens mascaradas da realidade, nestes discursos, parecem valer mais do que a própria realidade.

Aí, só ai, a Educação se fez de luto? É brincadeira, Sr. Ministro. Não nos tome por idiotas.

Igualmente. Sr. Governador Sérgio Cabral, não nos tome por idiotas.

Quando li sua infeliz e preconceituosa declaração sobre o assassino, o primeiro cuidado que tive, foi tentar saber quem ele era. Suspeitei que era alguém cuja vida seria uma dessas vidas – tantas vidas jovens! – desperdiçadas deste país. Por falta de Educação. E é. Somente olhando para o rosto do jovem e depois lendo o bilhete de despedida que deixou, muita coisa pode se analisada. Primeiramente, apesar da declaração de sua irmã, de que ele seria professo do islamismo, não coloquemos a pecha maldita sobre esta religião que tem uma profunda e admirável relação com a divindade, tanto quanto outras religiões. Cuidado com nossos preconceitos de estigmatizarmos o Outro, especialmente quando o Outro nos agride, como neste caso. Nunca paramos para pensar que nós também agredimos o Outro, porque é mais cômodo. Porque o recado final do trágico assassino fala em Jesus, portanto ... porque a figura de Jesus é mais própria de nossa cultura ocidental do que da cultura islâmica. Cuidado com qualificativos de primeira hora.

Ademais, Sr. Governador, é muito fácil, como eu já disse, achar o bode expiatório e se eximir das responsabilidade dos gestores públicos: o assassino entrou na escola como bem quis, sem controle de segurança. A maioria esmagadoríssima das escolas desse país não tem esquema de segurança. Nem as elites estão a salvo em suas escolas privadas.

Agora, chamar o assassino de animal pode ser alvo de várias contestações, inclusive judiciais. Talvez a intenção de Vossa Excelência tenha sido atribuir ao assassino a falta de razão que os animais não teriam. Porém, deixo aqui alguns modestos questionamentos: 1º) Vossa Excelência ofendeu aos animais, cujo reino nos pode transmitir muita sabedoria, para a qual, infelizmente, o ser humano não atenta; 2º) Tem muito ser humano desprovido de razão, por uma série de justificativas, entre as quais, porque não foi educado para usar a razão; 3º) Muitos seres humanos auto-considerados racionais, auto- carimbados de racionais, especialmente porque vêm de classes dominantes e têm diplomas universitários e são nossos governantes, cometem desatinos que animais não cometeriam, como permitirem que pessoas se instalem em áreas de risco ambiental, sem regras e sem freios de dispositivos legais públicos, causando tragédias a exemplo das acontecidas no Morro do Bumba (Angra dos Reis), em Petrópolis e Teresópolis. E tantos outros exemplos, em cada um dos estados brasileiros.

Animal? Quem é animal?

Quem é animal no sentido da desrazão?

Só pode ter desrazão quem tem a razão como qualificativo ontológico do seu ser. Esse assassino suicida pode não ter tido a chance da razão na sua vida.

Mas muita gente que se acha, que acha que teve e tem a razão, continua confundindo que tem (equivocadamente) a razão, quando o que tem, não passa de uma miopia.

O assassino dos estudantes da escola do Realengo carrega muita gente para a morte. E não são, apenas, os estudantes que, efetivamente, morreram por ele assassinados.

Que destas mortes, oxalá, emerja uma cáustica reflexão sobre os nossos erros em relação à educação brasileira. Que esses estudantes mortos e seu assassino brotem em flores, como flores, de uma outra educação, mais igualitária, emancipatória, igualitária.


8/04/2011
Rosa Maria Godoy Silveira
Drª. em História Social pela USP
Professora da UFPB

O Google nos deixa boobos? ~ Nicholas Carr

Nos últimos anos tenho tido um sentimento desagradável de que alguém, ou algo, tem brincado com meu cérebro, remapeando meu circuito neural, reprogramando minha memória. Não estou perdendo a cabeça, mas ela está mudando. Mergulhar em um livro ou longo artigo costumava ser fácil. Agora minha concentração começa a se dissipar depois de duas ou três páginas.

Acho que sei o que está acontecendo. Tenho passado longas horas online. Como escritor, a internet é um presente dos deuses. Para mim, como para outros, a web está se tornando um meio de comunicação universal, o conduíte para a maioria das informações que passam por meus olhos, meus ouvidos, até minha mente. Mas essa bênção tem um preço. Os meios de comunicação não são apenas canais passivos de informação, disse Marshall McLuhan na década de 1960. Eles fornecem o material para o pensamento, mas também modelam o processo de pensamento. E ao que parece a internet está estilhaçando minha capacidade de concentração e contemplação.

Para Maryanne Wolf, psicóloga do desenvolvimento da Universidade Tufts, "não somos somente o que lemos. Somos como lemos." A leitura profunda não se distingue do pensar em profundidade. O estilo promovido pela internet, de eficácia e imediatismo acima de tudo, pode estar enfraquecendo nossa capacidade de leitura profunda. A internet agrupa a maioria das tecnologias intelectuais. É mapa e relógio, impressora e máquina de escrever, calculadora, telefone, rádio e televisão. Quando absorve uma mídia, essa mídia é recriada à sua imagem. E sua influência não termina na tela do computador. Quando a mente das pessoas se sintoniza com a louca colcha de retalhos da internet, a mídia tradicional tem de se adaptar às novas expectativas do público.

Como nas fábricas, a internet é uma máquina projetada para coleta, transmissão e manipulação da informação de forma eficiente e automatizada. O Google procura sistematizar tudo que faz. Coleta todos os dias dados comportamentais em sua máquina de busca e os usa para refinar os algoritmos que controlam cada vez mais como as pessoas encontram informação e extraem sentido dela. Para a empresa a informação é uma commodity que pode ser obtida e processada com eficiência industrial. Tenta até "construir inteligência artificial e fazer isso em escala industrial", diz Larry Page, um de seus fundadores. Ele assume que todos estaríamos em melhor situação se nosso cérebro fosse complementado, ou mesmo substituído, por inteligência artificial, o que é perturbador. Isso sugere que a inteligência é resultado de um processo mecânico, uma série de passos que podem ser isolados, medidos e otimizados. No mundo Google há pouco espaço para contemplação. Ambigüidade não é uma abertura para a o insight, mas um vírus a ser consertado. Quanto mais rápido surfarmos – quanto mais links e páginas acessarmos –, mais oportunidades o Google e as outras empresas têm para coletar informação e nos alimentar com publicidade. A última coisa que elas querem é encorajar a leitura prazerosa ou o pensamento lento e concentrado. Está em seu interesse econômico nos levar à distração.

O surgimento de novas tecnologias sempre tende a levantar suspeitas. Platão criticou a palavra escrita. Havia quem acreditasse que a disponibilidade de livros, depois de Gutenberg, levasse à preguiça intelectual. Portanto, deve-se ser cético quanto a meu ceticismo em relação à internet. Talvez brote das mentes abarrotadas de dados uma era de ouro de descobertas e sabedoria universal. Mas sou assombrado pela negra profecia de Stanley Kubrick no filme 2001 - Uma Odisséia no Espaço: quando passamos a depender dos computadores para mediar nossa compreensão do mundo, é nossa própria inteligência que se achata ao nível da inteligência artificial.


Nicholas Carr, extraído de artigo publicado na Atlantic.
Revista da Semana, 26 de junho de 2008.

Cinco razões para não tomar refrigerante

No fim do século 19, era vendido nas farmácias como xarope de carbonatado ou simplesmente soda. Hoje saiu das antigas farmácias e se transformou na febre de todos os tempos, com vários tipos e sabores, com direito a disputa de marcas, latinhas personalizadas, urso polar, limãozinho, bonequinhos e até mesmo disputa de comerciais entre gostosas e bonitinhos.

O refrigerante é a segunda bebida mais consumida do mundo, perdendo apenas para água. No entanto, a onipresente Coca-Cola e afins têm mais pontos negativos que positivos. Vamos a eles.



1. Há muita química entre nós

O refrigerante é uma bebida consideravelmente artificial. Tirando aquele gostinho de fruta, possui corantes, conservantes, grande quantidade de açúcares. Nas versões light, diet e zero contém adoçantes artificiais. Sem falar da cafeína que nos deixa ligadões e de um acidulante, o ácido fosfórico.

De nutrientes, não tem nada. Você simplesmente bebe um coquetel molotov de água com gás, açúcar e um monte de tranqueira que boa parte não sabe nem pra que serve (descartando as limpezas de ferrugem, desentupidor de pia e experiências malucas).


2. Diet, light ou zero não resolve

Por não possuir nutriente algum, você acaba consumindo calorias inúteis que aumentam o colesterol ruim e se acumulam cada vez mais até aparecer aquela barriguinha graciosa olhando pra você.

“Ah, mas eu tomo o light, zero ou diet, não tem problema!”

Isso é o que você pensa. Como eu falei um parágrafo atrás, esses tipos de refrigerante têm adoçantes artificiais pra poder substituir o açúcar normal. O uso de adoçante sozinho é um tanto suspeito para as pessoas que não são diabéticas, já que ele foi projetado para pessoas cujo organismo tem certa deficiência de absorção de glicose, podendo ser até 600 vezes mais doce que o próprio açúcar.

Esse elevado teor de “doçura” sintética leva uma porrada de substâncias químicas ao fígado, o que dificulta na absorção, sobrecarregando-o e fazendo com que ele mande mensagens para o cérebro dizendo “Ó, tem muita glicose aqui, e tem gente estranha também, vamos dar um jeito nisso rápido”. Só que, quando o cérebro vai checar, ele não vê nada de glicose pra ser transformada, e sim substâncias falsas em muito excesso, daí o stress do desespero o obriga a mandar mensagens para que você possa comer mais para poder suprir a substância de produção de energia (glicose) que não chegou para que assim, possa processar e expulsar as substâncias falsas que estão em excesso, que são de difícil quebra para pessoas não diabéticas.

Quanto mais adoçante ingerir, mais o seu organismo vai aumentar o seu apetite e ânsia de comer e beber. Light ou Diet não adianta nada.


3. Ossos fortes para toda a vida? Acho que não.

Primeira coisa que você nota quando toma um refrigerante é que os dentes ficam esquisitos, não na aparência, mas você sente que eles ficam estranhos, principalmente quando você fricciona um com o outro. Isso tem explicação.

Como disse, uma das composições do refri é o ácido fosfórico (acidulante). Em nosso organismo, todo fósforo existente precisa de uma molécula de cálcio para que ele possa ser processado e equilibrado, daí imagine a situação: do nada surge uma avalanche de fósforo no organismo e não tem cálcio suficiente pra dar conta do recado. Desequilibra tudo, já que o fósforo vai começar a buscar no próprio corpo humano as fontes de cálcio que são os ossos, que ficam mais sensíveis, aumentando os risco de osteoporose.

Um exemplo bom disso é uma experiência que alguém deve ter feito na escola: pegar uma lata de Coca-Cola e por um osso cru de galinha dentro. Espera algumas horas ou até o outro dia e depois de tirá-lo você nota que ficou um tanto borrachudo.


4. 110, 115, 160, só pra ver até quando o motor aguenta

Quem aí já não tomou café ou alguma coisa com guaraná em pó pra ficar acordado até altas horas terminando aquele trabalho? Pois é. Sabemos que existem N variedades de refrigerante no mercado mundial, mas os mais consumidos são aqueles a base de cola e guaraná. Eles são riquíssimos em cafeína, substância vasodilatadora, diurética e excitante natural, que estimula o sistema nervoso central, o que ajuda no revigoramento, na diminuição do sono e fadiga.

Porém, a cafeína descarrega uma quantidade alta de adrenalina, causando assim um aumento brusco de pressão (que é ajudada pela vasodilatação), arritmia cardíaca e tremores involuntários.


5. Gases, arrotos e outras excrescências

Todo mundo já deve ter feito aquela brincadeira: tomar um gole de refri pra fazer disputa de arroto ou outras coisas sonoras. Como o gás não é absorvido pelo organismo, ele tende ser eliminado. A primeira eliminação acontece assim que você engole, pois as bolinhas de gás vão se estourando à medida que passam pelo esôfago.

Em seguida a bebida passa pelo estômago, onde já é produzido bastante gás durante a digestão. A soma o gás da digestão com o gás do refrigerante aumenta a flatulência intestinal, ou seja, aumenta a produção do punzinho básico.


A solução!

Existem várias formas de tentar burlar esse vício por meio de substituições saudáveis. Para os que estão mais dispostos a mudar de vida vão umas dicas: energéticos, sucos naturais, sucos a base de soja, chás gelados (moderadamente devido à cafeína) ou até mesmo um vinho ou uma cerveja (contanto que não passe de um copo).

Para os que são super viciados e tem dificuldade, sugiro que tentem diminuir aos poucos: se em uma semana você derruba duas garrafas de dois litros, na próxima semana diminua para um litro, gradativamente, até não tomar mais nada. Seu organismo vai estranhar o processo, sim, mas não se assuste. Talvez surjam os seguintes sintomas: dores de cabeça, irritabilidade e insônia. Algo normal, já que o seu corpo está tentando se estabilizar em relação à falta de cafeína.


Autora: Jú Lins, no blog Papo de Homem

O Carnaval - por Raquel Sheherazade



[...] não é que eu seja inimiga do Carnaval. Até já brinquei muito em clubes, nos blocos, nas prévias, fui até a Olinda em plena terça-feira de Carnaval. Portanto, vou falar com conhecimento de causa e revelar algumas verdades que eu encontrei por trás da fantasia do Carnaval.

A primeira delas: o Carnaval é uma festa genuinamente brasileira. Não, não é. O Carnaval, tal como nós o conhecemos, surgiu na Europa durante a Era Vitoriana e se espalhou pelo mundo afora, adaptando-se a outras culturas.

Segunda falsa verdade: é uma festa popular. Balela. O Carnaval virou negócio dos ricos. Que o digam os camarotes VIP, as festas privadas e os abadás caríssimos chamados “passaportes da alegria”. E quem não tem dinheiro pra comprar aquela roupinha colorida, não tem também direito de ser feliz? Tem não. E aqui na Paraíba, onde se comemoram as prévias, não é muito diferente não. A maioria dos blocos vive às custas do Poder Público, e nenhuma atração sobe no trio elétrico pra divertir o povo só por ser, o Carnaval, uma festa democrática. Milhões de reais são pagos a artistas da terra - e fora dela - para garantir o circo a uma população miserável que não tem sequer o pão na mesa.

Muitas coisas hoje me revoltam no Carnaval. Uma delas é ouvir a boa música ser calada à força por hits do momento como o "Melô da Mulher Maravilha" e similares que eu não ouso nem citar.

Eu fico indignada quando vejo a quantidade de ambulâncias disponibilizadas num desfile de Carnaval para atender os bêbados de plantão e valentões que se metem em brigas e quebra-quebra. Onde estão essas mesmas ambulâncias quando uma mãe precisa socorrer um filho doente, quando um trabalhador está enfartando, quando um idoso no interior precisa se deslocar de cidade para se submeter a um exame? Eu me revolto em ver que os policiais estão em peso nas festas para garantir a ordem no Carnaval e, no dia-a-dia, falta segurança para o cidadão de bem exercitar o simples direito de ir e vir.

Mas “o Carnaval é uma festa maravilhosa”, dizem até que “faz girar a economia”, “que os pequenos comerciantes conseguem vender suas latinhas, seu churrasquinho...” Olha, se esses pais de família dependessem do Carnaval pra vender e pra viver, passariam o resto do ano à míngua. Carnaval só dá lucro pra dono de cervejaria, pra proprietário de trio elétrico, e para uns poucos artistas baianos. No mais, é só prejuízo.

Alguém já parou pra calcular o quanto o Estado gasta pra socorrer vítimas de acidentes causados por foliões embriagados? Quantos milhões são pagos em indenizações por morte ou invalidez decorrentes desses acidentes? Quanto o Poder Público desembolsa com procedimentos de curetagem que muitas jovens se submetem depois de um Carnaval sem proteção que gerou uma gravidez indesejada? Isso sem falar na quantidade de DST's que são transmitidas durante a festa em que tudo é permitido?

Eu até acho que o Carnaval já foi bom. Mas, isso foi nos tempos de outrora.


Raquel Sheherazade
Jornalista e Âncora do telejornal "Tambaú Notícias"
da TV Tambaú, filial do SBT na Paraíba


Transcrição: Gutierrez PS

O Milagre da Fotografia

Fotografia: todos a consideram verdadeiro milagre da técnica e incomparável poder de trazer sempre presentes lembranças do passado projetando-as no futuro.
Não há quem, hoje, não procure se iniciar na arte fotográfica para colher flagrantes da vida particular ou pública, seja como simples registro de fatos do círculo familiar ou da grande sociedade.
Desde 1888, quando George Eastman criou sua primeira câmara "caixote", a fotografia tornou-se uma das mais incríveis e revolucionárias invenções, a mais popular forma de arte. Atribui-se sua criação a dois pesquisadores: Nicéphore Niépce e Louis Daguerre, este que encontrou, finalmente, A solução de "fixar" a imagem de maneira permanente pelo hipossulfito.
A fotografia se espalhou pelo mundo inteiro com a ajuda da indústria e dos recursos da cor. Hoje está presente em toda parte, ganhou o cinema, a televisão, os neios de comunicação social, dá prêmios, condecora profissionais, enche de alegria, colhe sorrisos, lágrimas, o começar da vida e seu fim, o trágico, o drama, a guerra, a festa, o esporte, a política, enfim, retrata como testemunha fiel, todos os momentos do homem sobre a Terra.
Por isso, apreciamos a fotografia, ver a imagem reproduzida com arte e gosto, Técnica e criatividade.
É um milagre do homem!

Autor desconhecido

Aprendendo a pensar - Stephen Kanitz

A maioria das aulas que tive foi expositiva. Um professor, normalmente mal pago e por isso mal-humorado, falava horas a fio, andando para lá e para cá. Parecia mais preocupado em lembrar a ordem exata de suas idéias do que em observar se estávamos entendendo o assunto ou não.

"Aprendi nas aulas poucas coisas que uso até hoje. Teriam sido mais úteis aulas de culinária, nutrição e primeiros socorros do que latim, trigonometria e teoria dos conjuntos."

Ensinavam as capitais do mundo, o nome dos ossos, dos elementos químicos, como calcular o ângulo de um triângulo e muitas outras informações que nunca usei na vida. Nossa obrigação era anotar o que o professor dizia e na prova final tínhamos de repetir o que havia sido dito.

A prova final de uma escola brasileira perguntava recentemente se o país ao norte do Uzbequistão era o Cazaquistão ou o Tadjiquistão. Perguntava também o número de prótons do ferro. E ai de quem não soubesse todos os afluentes do Amazonas. Aprendi poucas coisas que uso até hoje. Teriam sido mais úteis aulas de culinária, nutrição e primeiros socorros do que latim, trigonometria e teoria dos conjuntos.

Curiosamente não ensinamos nossos jovens a pensar. Gastamos horas e horas ensinando como os outros pensam ou como os outros solucionaram os problemas de sua época, mas não ensinamos nossos filhos a resolver os próprios problemas.

Ensinamos como Keynes, Kaldor e Kalecki, economistas já falecidos, acharam soluções para um mundo sem computador nem internet. De tanto ensinar como os outros pensavam, quando aparece um problema novo no Brasil buscamos respostas antigas criadas no exterior. Nossos economistas implantaram no Brasil uma teoria americana de "inflation targeting", como se os americanos fossem os grandes especialistas em inflação, e não nós, com os quarenta anos de experiência que temos. Deu no que está aí.

De tanto estudar o que intelectuais estrangeiros pensam, não aprendemos a pensar. Pior, não acreditamos nos poucos brasileiros que pensam e pesquisam a realidade brasileira nem os ouvimos. Especialmente se eles ainda estiverem vivos. É sandice acreditar que intelectuais já mortos, que pensaram e resolveram os problemas de sua época, solucionarão problemas de hoje, que nem sequer imaginaram. Raramente ensinamos os nossos filhos a resolver problemas, a não ser algumas questões de matemática, que normalmente devem ser respondidas exatamente da forma e na seqüência que o professor quer.

Matemática, estatística, exposição de idéias e português obviamente são conhecimentos necessários, mas eu classificaria essas matérias como ferramentas para a solução de problemas, ferramentas que ajudam a pensar. Ou seja, elas são um meio, e não o objetivo do ensino. Considerar que o aluno está formado, simplesmente por ele ter sido capaz de repetir os feitos intelectuais das velhas gerações, é fugir da realidade.

Num mundo em que se fala de "mudanças constantes", em que "nada será o mesmo", em que o volume de informações "dobra a cada dezoito meses", fica óbvio que ensinar fatos e teorias do passado se torna inútil e até contraproducente. No dia em que os alunos se formarem, mais de dois terços do que aprenderam estarão obsoletos. Sempre teremos problemas novos pela frente. Como iremos enfrentá-los depois de formados? Isso ninguém ensina.

Existem dezenas de cursos revolucionários que ensinam a pensar, mas que poucas escolas estão utilizando. São cursos que analisam problemas, incentivam a observação de dados originais e a discussão de alternativas, mas são poucas as escolas ou os professores no Brasil treinados nesse método do estudo de caso.

Talvez por isso o Brasil não resolva seus inúmeros problemas. Talvez por isso estejamos acumulando problema após problema sem conseguir achar uma solução.

Na próxima vez em que seu professor começar a andar de um lado para o outro, pense no que você está perdendo. Poderia estar aprendendo a pensar.

Artigo Publicado na Revista Veja, Editora Abril, edição 1763, 
ano 35, nº 31, 7 de agosto de 2002, página 20.

Outro você - Luis Fernando Veríssimo

Me dizem que rola um texto na Internet com minha assinatura baixando o pau no “Big Brother Brasil”. Não fui eu que escrevi. Não poderia escrever nada sobre o “Big Brother Brasil”, a favor ou contra, porque sou um dos três ou quatro brasileiros que nunca o acompanharam. O pouco que vi do programa, de passagem, zapeando entre canais, só me deixou perplexo: o que, afinal, atraia tanto as pessoas – além do voyeurismo natural da espécie – numa jaula de gente em exibição? Falha minha, sem dúvida. Se prestasse mais atenção talvez descobrisse o valor sociológico que, como já ouvi dizerem, redime o programa e explica seu fascínio. Pode ser. Os “Big Brothers” e similares fazem sucesso no mundo todo. Provavelmente eu e os outros três ou quatro resistentes apenas não pegamos o espírito da coisa.

Também me dizem que, além de textos meus que nunca escrevi (como textos igualmente apócrifos do Jabor, da Martha Medeiros e até do Jorge Luís Borges) agora também frequento a Internet com um “tweeter”. Aviso: não tenho tuíter, não recebo tuíter, não sei o que é tuíter. E desautorizo qualquer frase de tuíter atribuída a mim a não ser que ela seja absolutamente genial. Brincadeira, mas já fui obrigado a aceitar a autoria de mais de um texto apócrifo (e agradecer o elogio) para não causar desgosto, ou até revolta. Como a daquela senhora que reagiu com indignação quando eu inventei de dizer que um texto que ela lera não era meu:

— É sim.

— Não, eu acho que…

— É sim senhor!

Concordei que era, para não apanhar. O curioso, e o assustador, é que, em textos de outros com sua assinatura e em tuiters falsos, você passa a ter uma vida paralela dentro das fronteiras infinitas da Internet. É outro você, um fantasma eletrônico com opiniões próprias, muitas vezes antagônicas, sobre o qual você não tem nenhum controle.

— Olha, adorei o que você escreveu sobre o Big Brother. É isso aí!

— Não fui eu que…

— Foi sim!

Luis Fernando Veríssimo
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...